Tenho recebido comentários e também alguns questionamentos recentemente quanto a uma celeuma envolvendo a participação ou não de velas D-Hot em competições aqui no Brasil. Vou comentar um pouco este assunto para aproveitar o gancho e levar um pouco de reflexão para pilotos de todas as categorias.
Alguns têm questionado a criação do termo "HOT". Quem criou o termo HOT foram os próprios fabricantes que "conseguiram" homologar seus projetos de 2 linhas. Sim, não foi piloto nem organizador de competições quem criou o termo HOT não. Então, convido todos a voltarem ao berço de tudo para entenderem um pouco mais e reestruturarem seus pensamentos e reflexões acerca do que realmente é uma vela HOT. Assim que dois fabricantes conseguiram homologar suas velas 2 linhas, Ozone e Niviuk, os sites dos mesmos divulgaram a novidade com um reforço de informação bem grifado em relação ao fato de que as velas 2 linhas homologadas na classe D se tratavam, na verdade, de velas de competição com alta demanda de pilotagem e totalmente voltada para pilotos de competição de alto nível.
Anúncio do Lançamento do Enzo pela Ozone (Novembro de 2011 - Site Ozone)
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| Ozone Enzo |
The EnZo represents a new class of paraglider. It is an open class competition wing with pending EN D certification. This wing has the flight characteristics, behaviour, safety and performance normally associated with the open class, and although EN certified it can still only be safely flown by skilled “Open Class” pilots. We feel this wing should be in a separate class, as it does not really offer the ease of use and levels of passive safety that we would normally expect from an EN D level wing. It is designed for racing and made to fit the requirements of the top level pilots who were flying open class wings before the 2012 season.
Tradução:
O Enzo representa uma nova classe de parapente. Ele é uma vela da classe competição apresentada para certificação EN D. Esta vela tem características de vôo, comportamento, segurança e performance normalmente associadas à classe Open e,
apesar da certificação EN, ELE CONTINUA SENDO SEGURO PARA SER VOADO SOMENTE POR EXPERIENTES PILOTOS "Open Class". Nós achamos que esta vela deveria estar em uma categoria separada, uma vez que ela não oferece o fácil uso e segurança passiva que normalmente esperamos de uma vela nível EN D. Ela foi projetada para competições e feita para se atender as exigências de pilotos de alto nível que estavam voando velas de competição antes da temporada 2012.
Então... se o objetivo de toda esta reestruturação e remodelação nas competições e nos tipos de velas aceitas para competir era evitar que os pilotos se expusessem a riscos exagerados, acredito que a reação dos fabricantes foi muito parecida com a de um piloto que voa em full speed mesmo a 50mts do chão para tentar matar uma prova. Eles foram ao limite!

Bom, na minha visão, os organizadores de competições podem sim dar a sua contribuição para que algo realmente eficáz seja feito e a casa seja colocada em ordem. Não sou a favor da abertura das competições para as, agora já explicadas, D Hot. Isto tudo, partindo do princípio de gerar uma verdadeira mudança de atitude por parte de fabricantes e pilotos de competição quanto à segurança e competitividade entre pilotos e estratégias. Caso contrário, sou a favor de voltar a ser tudo como era antes, sob risco de viver uma realidade hipócrita. Afinal, sendo o piloto que mais participou de competições no Brasil inteiro no ano de 2011, tendo voado 2 linhas a temporada toda e ainda voando com 2 linhas atualmente, acho que posso expressar a minha opinião com tranquilidade e transparência.
Depois deste início, gostaria de aproveitar para convidar os pilotos iniciantes e todos os pilotos que voam por lazer e se aventuram no XC e nas competições esporadicamente, para refletirem acerca de todos os modelos de velas EN-B e EN-C que estão chegando ao mercado nesta temporada.
Srs pilotos, não se iludam, os projetos evoluíram muito e o que antes era um mero próximo passo, pegar a próxima classe de vela após 2 anos voando a classe atual, agora virou um salto.
Muito piloto não está ligado nesta evolução e não está pensando que, o simples fato de sair de uma vela DHV 1-2 de 2 anos atrás e passar para uma EN-B (1-2) atual já é um passo rumo à evolução de performance e exigência de aperfeiçoamento de pilotagem. Agora, imaginem o piloto que sai de um DHV 1-2 de 2 anos atrás e passa para um EN-C (2) atual... imaginou???
As velas estão mais precisas e reativas aos comandos, a velocidade de cruzeiro aumentou, o comportamento na decolagem com vento mais forte ficou mais técnica, assim como a com vento mais fraco também, as reações quando em ocorrência de colapso superior a 30% ficaram um pouco mais enérgicas (apesar de dentro dos limites da categoria)... muita coisa mudou. Para melhor, é claro, mas isto demanda um piloto melhor na outra ponta.
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| SOL Synergy Five |
Srs pilotos, reflitam. Pensem bem nos seus objetivos. Se a diversão, o prazer e a satisfação particular são a sua prioridade, reavaliem as suas opções no mercado com vistas ao que foi exposto aqui. Não é preciso mudar de nível para ganhar performance neste primeiro momento. Pensem nisto!!!